sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Diferença entre referencial teórico e revisão de literatura


É comum as pessoas confundirem referencial teórico com a revisão de literatura. Essas atividades estão interligadas e compõem o projeto de pesquisa, mas são diferentes. Então, para não confundir alhos com bugalhos, o texto tratará da diferença entre elas.

A revisão de literatura refere-se ao levantamento do assunto do tema pesquisado.
Abrange artigos com resultados de pesquisas, pontos de vista diversificados de autores, livros técnicos, etc. O levantamento deve cobrir o assunto a ser pesquisado. Uma forma prática de fazer isso, é levantar os conceitos-chave da pesquisa e, depois, tratar cada conceito aprofundando nos aspectos etimológicos (origem da palavra), históricos, evolução, significado atual e mostrar resultados de pesquisas sobre o conceito.
Por exemplo, na pesquisa intitulada: "Avaliação formativa nas escolas particulares de educação básica de Brasília", os conceitos a serem trabalhados, por exemplo, são:
Avaliação formativa: o que é avaliação, história da avaliação, tipos de avaliação, importância da avaliação formativa, resultados de pesquisas recentes que tratam da avaliação formativa
Educação básica: o que é, dados gerais sobre a educação básica, legislação sobre avaliação, relação entre avaliação e repetência na educação básica.
Escolas particulares: o que é, como surgiram, a importância das escolas particulares, dados gerais sobre escolas particulares e avaliações.
Brasília: delimitação do espaço geográfico; características da cidade (econômicas, sociais, culturais); número de escolas particulares...
Como se pode observar, os conceitos principais são divididos em várias subcategorias de assuntos. Evidentemente, pessoas diferentes podem identificar conceitos e formas de abordagem diferentes, dependendo das leituras realizadas, do grau de experiência, dentre outros aspectos. Não é uma fórmula exata!

Um ponto importante da revisão de literatura é que ela será usada na discussão dos resultados. Isto é, a sua pesquisa mostra o resultado obtido, que deve ser comparado com aqueles resultados vistos na revisão de literatura. Se o autor obteve os dados que " 30% das escolas pesquisadas trabalham com avaliação formativa", ele deve tentar explicar esse resultado, considerando a revisão de literatura. Por isso, a revisão de literatura deve abranger os conceitos que constam no objetivo geral, os quais estão relacionados com o título da pesquisa.
Outro ponto fundamental é saber escolher o material da revisão. Para tanto, é preciso considerar alguns critérios, por exemplo:
Autoridade: quem escreveu o artigo? É pesquisador da área? Conhece bem o assunto? Qual é a linha de pesquisa do autor?
Tipo de informação: pode ser informação científica, especializada ou de atualidade. No primeiro caso, a pesquisa passa pela avaliação de autores da área, por exemplo, artigos de revistas científicas listadas pelo Qualis. No segundo caso, as informação é produzida por alguém que entende da área, mas não foi avaliada pelos pares. Um exemplo de informação especializada pode ser encontrada na revista Nova escola (especializada em educação); Galileu (ciências) e exame (economia). Essa informação deve ser evitada nos trabalhos acadêmicos. E, por fim, as informações de atualidades referem-se àquelas que constam nos jornais, sites e revistas de atualidades, por exemplo: Veja, Isto é... Da mesma forma, devem ser evitadas, por não ter validação dos pares. Logicamente, a citação dessas fontes não invalida o trabalho de pesquisa, mas deve haver muita moderação.
Atualização: existem artigos clássicos de cada área, importantes pelo valor histórico e pelas contribuições. Contudo, é sempre bom estar atento às datas das pesquisas dos textos citados nos trabalhos. Evite artigos com mais de 7 anos de idade, com exceção dos clássicos.
Língua: dê preferência à leitura dos textos em línguas conhecidas, isto porque se corre o risco de não compreender bem o assunto tratado.
Editoras: dê preferência para editoras que possuem comissão editorial, por exemplo, editoras vinculadas às universidades. Algumas editoras comerciais estão preocupadas com o dinheiro e não com a qualidade do autor.
Pontos de vistas diferentes: busque sempre pesquisar o assunto amplamente e acessar pontos de vistas diferentes, assim o seu trabalho pode ficar mais robusto.

Na revisão de literatura, é comum observar várias citações literais, isto é, tal qual é apresentada no texto lido. É preferível fazer paráfrases ou resumos dos assuntos, ou seja, é melhor fazer
citações indiretas. Isso mostra que o autor foi cuidadoso com o texto! Da mesma forma, evite ao máximo fazer citação de citação (apud). Só use esse recurso se o texto original não puder ser encontrado, isso ocorre em casos de textos antigos e fora de circulação ou em línguas como japonês, chinês, latim...

Nada de citar vários autores sem tentar comprender os pontos de vista deles. Relacione (e não liste!!!) os diferentes pontos de vista, descrevendo os pontos convergentes e os divergentes, levantando hipóteses, identificando causas/consequências... O texto deve ser convincente e estar bem alinhavado.
Portanto, revisar a literatura é levantar os conceitos-chave do assunto pesquisado e relacioná-los entre si, considerando alguns critérios para escolher o material.

O referencial teórico relaciona-se à seleção do significado de cada conceito-chave tratado na pesquisa e, em consonância com a linha de pesquisa e teoria adotadas pelo autor/pesquisador. Trocando em miúdos... Na revisão de literatura, o objetivo é levantar informações sobre os conceitos. Pode-se identificar vários autores tratando de forma diferente do mesmo conceito. No Referencial teórico, identifica-se o significado de cada conceito-chave para a pesquisa e como estão relacionados entre si. Voltando ao exemplo da pesquisa intitulada "Avaliação formativa nas escolas particulares de educação básica de Brasília", deve-se identificar o significado mais adequado à pesquisa em curso. Por exemplo, "na presente pesquisa, avaliação formativa refere-se ....". Somente parte da revisão de literatura é usada para compor o referencial teórico. Sugere-se que o referencial teórico faça parte da metodologia científica.

Assim, a revisão de literatura é mais ampla e o referencial teórico, derivado da revisão de literatura é mais específico.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fundamentação teórica do projeto


O tema da pesquisa é interação humano-computador a qual tem como objeto os periódicos científicos na área de Ciência da Informação e usuários em potencial. O objetivo da pesquisa é verificar a interação e a influência do comportamento do usuário no uso de uma interface para a recuperação da informação científica em periódicos eletrônicos da área de Ciência da Informação.

Pode-se classificar a pesquisa quanto a natureza: aplicada, quanto a forma de abordagem: quali-quantitativo, descritiva quanto aos objetivos e com relação aos procedimentos técnicos enquadra-se como levantamento. A base empírica são os dez periódicos eletrônicos em Ciência da Informação mais citados os quais utilizam a plataforma do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), baseados no trabalho de Arruda (2011). Como o estudo se dará mediante interação entre os possíveis usuários e os periódicos, esses constituem a outra base empírica. Esses possíveis usuários serão estudantes da pós-graduação em Ciência da Informação a ser definidos. Serão observados também o comportamento dos usuários mediante a interação com as interfaces dos periódicos.

Pode-se dizer que após as aulas de metodologia a minha percepção sobre a função da dissertação foi modificada. Compreendi que por meio da minha pesquisa tentarei entender o objeto a ser estudado, e para tanto, não é necessário realizar uma pesquisa a qual possa “revolucionar” a Ciência da Informação. As mudanças no projeto de pesquisa foram quanto a compreensão da função do problema bem como a construção do mesmo, a construção dos objetivos e sua importância para o andamento e conclusão da pesquisa, e quanto aos métodos de pesquisa para cada situação.

No entanto, não consegui classificar minha pesquisa quanto aos procedimentos técnicos utilizados. Não sei se minha pesquisa se enquadra como estudo de caso ou como levantamento, visto que alguns pontos ainda não foram definidos e há uma compreensão de que o estudo de caso não é tão relevante para uma pesquisa no nível de pós-graduação por parte de um dos orientadores. Outra questão ainda não definida foi a questão da amostra, a qual segue os mesmos entraves da questão da classificação da pesquisa.
            Para a base teórica serão considerados na pesquisa autores que abordam diversas temáticas para fundamentar o trabalho:

·         Sobre comunicação científica, os canais de comunicação utilizados na comunicação científica, os periódicos científicos e movimento de acesso livre, a via verde e a via dourada e o periódico científico eletrônico (Sely Costa, Fernando Leite, Arthur Jack Meadows, Suzana Mueller, Edilenice Passos, Maria das Graças Targino);

·         Sobre interação humano-computador, interface, experiência de usuário, perfil de usuário, usabilidade, heurísticas, criação de portais e diferenças entre as avaliações heurísticas (Simone Barbosa; Bruno Silva; Cláudia Dias; Jackob Nielsen, Hoa Loranger, Lena Vânia Ribeiro Pinheiro);

·         Sobre comportamento informacional, comportamento de busca por informação, busca de informação, uso da informação (Marco Antônio Carvalho Brum, Ricardo Rodrigues Barbos, Isabel Merlo Crespo, Sônia Elisa Caregnato, Kelley Cristine Gonçalves Dias Gasque, Sely Costa, Carol C. Kuhlthau, Martha Martínez-Silveira, Nanci Oddone);

·         E outros autores que auxiliam quanto a fundamentação da área da Ciência da Informação explicitando as origens da CI, o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação bem como sua inserção na CI (Aldo Barreto, Yves Francis Le Coadice Jaime Robredo).

Suzana Francisca da Rocha.

domingo, 1 de julho de 2012

Paper sobre a Ciência e a Ciência da Informação.



            A afirmação de Tomanik “[...] a realidade é sempre mais complexa do que podemos perceber; por isso pesquisamos. Ela é sempre diferente do que gostaríamos que fosse; por isso tentamos modificá-la [...]” expõe o papel da ciência: tentar compreender a realidade. Os cientistas “trabalham” para investigar a realidade mediante suas diversas facetas e possibilidade de análise. A imparcialidade, a transparência e a veracidade científica dos resultados dos estudos são garantidas por meio de normas, avaliações, métodos e técnicas, por mais que os pesquisadores possuam opiniões, crenças e valores.
            A Ciência da Informação possui como objeto de estudo algo abstrato, polêmico e de extrema importância para todas as áreas: a informação.  A utilidade desse objeto em diversas áreas é tão variada que “permite” o desenvolvimento de estudos sobre diversas perspectivas, uso, armazenamento, recuperação, apresentação, disseminação, dentre outros. O grande risco, no entanto, é que essa gama de possibilidades de estudo possa gerar “questões problema” as quais não refletem os anseios de uma pesquisa científica, cuja solução seria apenas para resolver anseios organizacionais ou pessoais em que a finalidade não é a de contribuir para o entendimento de um fenômeno/objeto. A CI, por estar inserida nas Ciências Sociais Aplicadas, pode expor problemas de pesquisa os quais dificulte a percepção do que é um problema relacionado a ciência do que seria uma questão administrativa (de processos) ou mercadológica. Entretanto as teorias e conhecimento desenvolvidos por meio de pesquisas contribuíram para fomentar e evoluir as questões práticas pertinentes à CI.
Creio que a ciência “exista” para tentar compreender o mundo e o universo no qual vivemos bem como para tentar entender e desenvolver as invenções e descobertas produzidas pela humanidade ao longo dos séculos. As descobertas fazem parte desses experimentos que buscam entender algo, e nem sempre possuem uma utilidade para a sociedade incluída nos objetivos de um trabalho/pesquisa científico (a). A utilidade da ciência para a sociedade viria após o entendimento de um fenômeno específico.
Essa compreensão permitiu entender que com a dissertação a minha função como “pesquisadora” não é de tentar solucionar um problema isolado, mas sim de tentar entender como ocorre meu fenômeno de pesquisa (interação humano-computador diante interfaces de periódicos científicos eletrônicos em Ciência da Informação) e talvez o conhecimento do fenômeno possa resultar em aplicações práticas em benefício daqueles que utilizam tal interface. Agora tenho consciência de que o meu trabalho não vá resolver os problemas das interfaces de periódicos eletrônicos, pois não é esse não é o objetivo da pesquisa científica.
Suzana Francisca da Rocha.